Linha girly Necrotomia medico social
Os factos têm se sucedido a uma velocidade tal, que a sua assimilação tem sido impossível.
Surgiu então a dúvida sobre essa dificuldade de assimilar. Devia-se à velocidade da sucessão ou à complexidade dos fenómenos? A resposta : ambas.
Tudo começou na secretaria da escola que o meu educando frequentará este ano. A minha vida é marcada por episódios caricatos nesses locais da tutela do meu querido Ministério da Educação. (Esse que perdeu o meu processo de acesso ao ensino superior e que me deitou fora da primeira fase de concurso, em que as vagas esgotaram para os locais e cursos que eu pretendia onde, por acaso, entrava com média e nota de exame vários valores acima do último colocado. Este parêntesis apenas para, mais uma vez, dizer “obrigadinha!” em retribuição às “desculpazinhas” do gabinete do Sr. Primeiro Ministro, Sr. Presidente da Republica e Sr. Ministro da Educação) .
Dizia eu que tudo começou lá, na secretaria, onde me dirigi com o meu educando, para tratar do seu pedido de transferencia . Após uma interminável espera, fomos atendidos. Exposto o assunto informaram-nos sobre a necessidade de adquirir um boletim de transferencia no extremo oposto da escola ( que por acaso é bem grande!). Adquirimos o dito impresso, e após o seu preenchimento dirigimo-nos novamente à secretaria. Entregamos o papelucho e o Sr. funcionário diz “Pronto, agora é só aguardar resposta”. Compreendo que não encontrem qualquer anormalidade no facto, mas eu elucido. O dito boletim não solicitava mais informações sobre o meu educando além do seu nome, motivo pelo qual pedia transferencia e morada. Não questionava sobre área de estudo, escola de proveniência, número de b.i.... Como poderia o Sr. funcionário dizer-me “Pronto, agora é só aguardar resposta” se não podiam tratar do processo sem esses dados??? E confrontei o Sr. Funcionário com esta minha dúvida à qual ele respondeu “ah! Pois é...” Só lhe faltou bater com a mão na cabeça como no anúncio dos jogos da Santa Casa.
Mas o mais caricato foi quando o Sr. funcionário, baralhado com a situação, reuniu os restantes quatro funcionários da secretaria, parando assim os serviços de atendimento porque todos se encontravam a conspirar em torno do papelucho como se algo demoníaco se tratasse. Já no meu tempo era assim que se resolviam os problemas nas secretarias!
Depois de tudo isto, lá ficaram com a informação escrita na vertical, horizontal, diagonal e outras formas possíveis no papelucho e pude vir embora.
A caminho de casa deparo-me com um exemplar humano do sexo masculino que decidiu ir a escarrar durante todo o caminho. Com uma velocidade de passo tal ,que me impedia de o ultrapassar, e a pressa que eu levava comigo não me permitia esperar que o dito espécime se afastasse para que eu pudesse prosseguir tranquilamente o meu caminho.
Quase fui atropelada em todas as passadeiras até chegar a casa. Até que cheguei. Entrei. Fechei a porta. Pouco tenho saído porque assusta-me não compreender o que se está a passar à minha volta.
Assusta-me que se aguarde tranquilamente pela chegada do dia em que tudo vai mudar; Que se acredite que o tempo chega para nos mudarmos a nós e aos outros; Assusta-me esta incoerência entre o progresso e a regressão, esta disparidade de tudo o que me rodeia. Mas sobretudo, assusta-me não ter mais tempo, nem força para fazer deslizar o meu bisturi.